Armando Cabral
Armando Cabral tem 28 anos e é senhor de uma carreira de invejável cujo percurso internacional a maior parte dos portugueses desconhecem. Hoje, partilha com os leitores de Venus in Furs histórias e sonhos que carrega consigo.
1. Qual foi o motivo que trouxe a tua família para Portugal?
Acho que há uma razão comum que leva as pessoas a emigrarem: a procura de uma vida melhor. E o caso da minha família não foi diferente. O meu pai foi funcionário público durante muitos anos na Guiné. Quando percebeu que o país estava a mudar e que o futuro não seria brilhante nós resolveu que ir para Portugal seria a possibilidade de um futuro melhor, e assim viemos todos. Infelizmente ainda não tive oportunidade de voltar a Guiné, mas espero poder regressar um dia.
2. Sabemos que o teu pai nunca apoiou o teu sonho na moda, até te mandou para London Metropolitan University. Na altura revoltou-te esta atitude do teu pai?
Por acaso não. Somos uma família muito unida, e todos concordaram, inclusive eu, que seria uma boa oportunidade ir para Londres. Sobretudo porque seria uma oportunidade de conhecer e aprender coisas novas, o que sempre me fascinou bastante. E graças ao meu pai hoje sou licenciado e lancei também a minha carreira de moda.
3. Já desfilaste para grandes nomes do mundo da moda: Calvin Klein, Louis Vuitton, Dior Homme, Dries Van Noten, Emanuel Ungaro, Michael Kors, entre outros. O que é que estes desfiles representaram para ti e qual foi o que mais gostaste de fazer?
Todos esses desfiles foram importantes para mim e consolidaram a minha carreira. Trabalhei muito com a Calvin Klein no início da minha carreira. As roupas, e os desfiles eram fantásticos. Mas falando do meu gosto pessoal gosto muito da Dries Van Noten, sempre muito elegante, clássico, mas sem dar nas vistas.
4. Passados alguns anos da conclusão do teu curso Gestão de Empresas deste-lhe finalmente uso. Lançaste recentemente uma linha de sapatos para homem com o teu nome. Como surgiu este projecto?
Eu adoro sapatos. Sempre tive a ideia de criar a minha marca. Compro sapatos de homem tanto quanto as mulheres compram saltos altos. Lembro me de ter um uns ténis na mão, durante um desfile em Nova Iorque, quando comecei a pensar que talvez seria o momento certo para criar a minha própria linha. Foi assim que tudo começou, juntei a equipa e formei a empresa e hoje tenho a linha Armando Cabral.
5. Combinar a moda com o teu curso de gestão de empresas era um sonho?
Na altura em que estava a tirar o curso nunca tinha pensado nisso. Passado algum tempo, depois do curso, quando comecei a ter a ideia de lançar a minha linha de calcado fui pensando nessa possibilidade. Cheguei a conclusão que tinha duas vantagens: a de ter tirado o curso e o facto de ser modelo. Assim, juntei o útil e o agradável.
6. Que conselhos dás aos aspirantes a modelos?
O conselho que eu dou é de nunca desistir, ser persistente, respeitar o trabalho e, o mais importante, gostar do que se faz. São essas as chaves do sucesso. A moda não é fácil, há muita concorrência e somos julgados constantemente pelo nosso aspecto. É preciso acreditar e ter paciência. Isso ajuda ultrapassar momentos difíceis que vão surgindo.
7. Desfilaste recentemente em Portugal, na Moda Lisboa. Como foi voltar a Portugal?
Confesso que eu sempre esperei pela oportunidade de trabalhar em Portugal. Existiram tentativas para vir mais cedo, mas houve sempre trabalhos que me impediam de vir. Tive muito prazer de ter participado já em duas edições da moda Lisboa, podendo dar assim a minha contribuição a moda portuguesa. Acho que a moda portuguesa está crescer muito e está a chegar ao seu ponto mais alto. Há que aplaudir os criadores e as produções.
8. O que é que significou para ti estar nomeado para os Globos de Ouro?
Foi um sinal de reconhecimento. Fiquei feliz por pertencer ao grupo de nomeados. Receber a notícia da minha nomeação foi uma surpresa. Isto porque simplesmente a minha carreira começou no estrangeiro e pouca gente sabia do meu percurso internacional até recentemente. Acho que é uma forma de motivar, que nos dá ainda mais forca para continuar com o bom trabalho.
9.Achas que o reconhecimento que te foi dado em Portugal já veio um bocadinho tarde?
Nunca é tarde receber um reconhecimento profissional. Como já disse é normal que pareça “tardio”, porque a minha carreira começou cá fora e pouca gente estava informada sobre o meu percurso na moda, o que eu entendo naturalmente.
10.Sabemos que sonhavas um dia ser jogador de NBA. Se não tivesses vingado no mundo na moda, o basquete profissional teria sido a alternativa?
O meu sonho era mesmo jogar na NBA, não simplesmente jogar basquetebol profissional. Joguei muito na Amadora, e durante o meu curso em Londres fiz parte da equipa principal da minha universidade. Mas muito cedo apercebi que nunca passaria de um sonho chegar à NBA. Para que isso acontecesse tinha que ir estudar para os EUA e tinha que ser muito melhor jogador do que eu pensava. Mas o basquete continua ser o meu desporto favorito. Fiquei amigo do poste dos Indiana Pacers, Troy Murphy, que durante as férias vive em Nova Iorque, e jogamos juntos, o que já me conforma.
11.Queres voltar a viver em Portugal? Onde te sentes em casa?
Gostava de um dia voltar e viver em Portugal, está nos meus planos. Mas de momento Nova Iorque tem o meu coração. Sinto me bem cá e é por aqui que penso ficar agora. Sinto me em casa em Nova Iorque, quando não estou em Portugal. Acho que Nova Iorque tem uma forma de acolher pessoas que faz com que ninguém se sinta como um estrangeiro. Se a tua cultura é andar de pés descalços, és livre de o fazer. Isso faz com que toda a gente se sinta em casa.
12.Desfilaste para os maiores nomes da moda, lançaste uma linha de sapatos com o próprio nome, foste considerado o 26º melhor manequim do mundo, vives numa das cidades mais cosmopolitas do mundo, o que te falta?
Ainda me falta muito! Tenho muito para concretizar profissionalmente e pessoalmente. Mas gostaria de ter mais tempo livre e de poder estar mais com a família e com os amigos. A minha vida é muito ocupada, entre trabalhos e viagens falta-me o equilíbrio familiar. Mas só tenho de estar feliz, com tudo o que eu conquistei. Adoro o meu trabalho!


